Fotografia de Marta (Martes martes)MustelídeosVulnerável

Marta

Martes martes

Foto: UnsplashUnsplash License

Martes martes — Nome comum: marta

Mustelídeo florestal de grande habilidade trepadora, identificável pela mancha amarela ou creme na garganta.

Habitat
Bosques nativos e maturos de coníferas, folhosas e mistos
Dieta
Roedores, aves, anfíbios, répteis, invertebrados e frutos
Família
Mustelídeos

Descrição

Carnívoro de tamanho mediano, de coloração castanho-escura. Muito semelhante à fuinha, mas distingue-se por possuir uma mancha amarela ou creme na garganta (em vez da mancha branca da fuinha) e por ter as orelhas ligeiramente maiores. É sobretudo crepuscular e nocturna. Os indícios de presença incluem excrementos de forma e cor variável colocados em locais proeminentes (caminhos, pedras) e pegadas com 5 dedos e garras visíveis.

Habitat

Espécie tipicamente florestal, habita bosques nativos e maturos de coníferas, folhosas e mistos, com cobertura das copas superior a 56% e diversificados em termos de recursos alimentares e condições de refúgio. Evita áreas abertas, mas explora habitats rochosos associados a manchas florestais. Em Portugal, encontra-se circunscrita a áreas do Parque Nacional da Peneda-Gerês e do Parque Natural de Montesinho.

Alimentação

Dieta variada, constituída por roedores, aves, anfíbios, répteis, invertebrados e frutos. Solitária e maioritariamente nocturna, ocupa áreas vitais que podem variar entre 2 e 29 km², diminuindo com uma maior cobertura florestal.

Reprodução

Os acasalamentos ocorrem em Julho–Agosto. Como é comum nos mustelídeos, apresenta implantação retardada: a fecundação efectiva ocorre apenas 165 a 210 dias após o acasalamento, com gestação de 28–30 dias. Os nascimentos ocorrem em Abril–Maio. As fêmeas atingem a maturidade sexual aos 15 meses; os machos aos 27 meses. Os juvenis saem das tocas pela primeira vez por volta das 8 semanas de vida.

Estatuto de Conservação

Classificada como Vulnerável (VU, critérios B1ab(iii)+2ab(iii); D1) pelo Livro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental (2023), representando uma alteração face à avaliação anterior (Informação Insuficiente). A área de ocupação é inferior a 500 km² e a extensão de ocorrência inferior a 5 000 km², estimando-se menos de 1 000 indivíduos maturos distribuídos por duas subpopulações (Peneda-Gerês e Montesinho). Incluída no Anexo III da Convenção de Berna e no Anexo V da Directiva Habitats.

Ameaças

A degradação e conversão dos ecossistemas florestais — especialmente pela ocorrência de incêndios, pela fragmentação dos bosques de folhosas nativos e maturos e pelas plantações de florestas de produção — constituem os principais factores de ameaça. O aumento da freqüência e intensidade dos incêndios florestais pode aumentar a fragmentação das populações. Contribuem ainda os atropelamentos, a urbanização, as alterações climáticas (que poderão reduzir a adequabilidade dos habitats de afinidade eurosiberiana) e a competição com a fuinha.

Última atualização: Abril de 2026