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Últimas notícias sobre os mamíferos carnívoros de Portugal.

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Marta

Marta capturada no Porto regressa à natureza após recuperação no Parque Biológico de Gaia (abre em nova janela)

O Centro de Recuperação de Fauna do Parque Biológico de Gaia (CRF‑PBG) devolveu à natureza um macho adulto de marta (Martes martes), espécie autóctone classificada como Vulnerável em Portugal, após uma ocorrência invulgar em plena cidade do Porto. O animal deu entrada no centro a 19 de junho, encaminhado pelo Centro de Recolha Oficial de Animais do Porto (CROA) depois de ter sido capturado numa zona residencial junto ao Parque do Covelo — muito longe do extremo norte do país, onde a espécie ocorre sobretudo em áreas de floresta nativa bem conservada como o Parque Nacional da Peneda‑Gerês e o Parque Natural de Montesinho. O caráter excecional do registo levou o CRF‑PBG, o CROA, investigadores do BIOPOLIS‑CIBIO, o ICNF e a Universidade de Lisboa a determinar em conjunto a origem do exemplar: as amostras de sangue recolhidas durante a quarentena confirmaram tratar‑se de um animal autóctone, com forte afinidade genética à população do Noroeste Ibérico, afastando a hipótese de proveniência de cativeiro, e a monitorização comportamental revelou um comportamento tipicamente selvagem, com acentuado receio da presença humana. Dadas a distância de cerca de 80 quilómetros às populações conhecidas e a reduzida continuidade de habitat favorável, os especialistas consideraram a dispersão natural pouco provável e admitiram como hipótese mais plausível o transporte do animal, de forma ilegal ou involuntária, desde a região da Peneda‑Gerês até ao Porto. A libertação ocorreu a 30 de julho, numa área de bosque autóctone nas imediações da Serra da Abadia, dentro do Parque Nacional da Peneda‑Gerês.

Lobo‑ibérico

Lobo protegido em Portugal pode ser caçado em Espanha, alertam organizações ambientalistas (abre em nova janela)

As organizações Green Impact ETS, Rewilding Portugal e o Fondo para la Protección del Lobo Ibérico alertam para a disparidade de proteção do lobo‑ibérico entre os dois países da Península Ibérica: em Portugal a espécie está estritamente protegida desde 1988, mas pode ser legalmente abatida em Espanha, sobretudo a norte do Douro, onde se concentra a maioria dos cerca de 250 a 300 lobos e das 58 alcateias existentes em território português. A área de distribuição da espécie recuou cerca de 20 % nas últimas duas décadas e um estudo realizado entre 2007 e 2017 no noroeste de Portugal atribui 47 % das mortes de lobos monitorizados à caça furtiva, a par da fragmentação de habitat, dos atropelamentos e dos atrasos no pagamento de indemnizações aos criadores de gado. As três organizações defendem a criação de uma estrutura binacional permanente, à semelhança do programa de recuperação do lince‑ibérico, coordenada pelo ICNF e pelo Ministério para a Transição Ecológica espanhol, com harmonização das medidas de proteção e censos populacionais conjuntos e anuais. O pedido surge poucos meses depois de Portugal ter aprovado o Programa Alcateia 2025‑2035 e de, em junho de 2025, ter reafirmado o compromisso com a proteção nacional estrita do lobo apesar da redução do nível de proteção prevista na Diretiva Habitats da UE.

Lobo‑ibérico

Governo reforça compensações a produtores de gado atacados por lobo‑ibérico (abre em nova janela)

O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, anunciou que o Conselho de Ministros aprovou um reforço das compensações pagas a produtores pecuários por ataques do lobo‑ibérico, sem divulgar os montantes concretos, com o objetivo de colocar os criadores «numa posição mais equilibrada e harmoniosa» face à proteção da espécie. Atualmente, os produtores têm direito a indemnização de até 50 % dos prejuízos até ao 15.º ataque atribuído a lobos em cada ano civil. A medida surge depois de, em dezembro de 2025, o Governo ter duplicado o valor das indemnizações com efeitos retroativos a janeiro, com aumentos de 227 % para caprinos, 160 % para equinos, 130 % para ovinos e 97 % para bovinos, e integra o Programa Alcateia 2025‑2035, que tem um orçamento de 3,3 milhões de euros para 2026 destinado à proteção do lobo e à indemnização de produtores. O programa identifica quatro núcleos populacionais da espécie: Peneda/Gerês, Alvão/Padrela, Bragança e Douro Sul, com um total de 58 alcateias (56 confirmadas e duas prováveis) e cerca de 300 animais. O anúncio surge após um movimento nacional de produtores pecuários, iniciado em fevereiro de 2026 e alargado à Galiza, que reclama o fim da proteção da espécie, e depois de o Governo ter revelado, em junho, a preparação de um novo diploma para reforçar ainda mais a proteção do lobo‑ibérico.

Lince‑ibérico

População de lince‑ibérico cresceu 95 % em quatro anos para 2 663 exemplares (abre em nova janela)

O censo ibérico de 2025, coordenado por Portugal e Espanha, contabilizou 2 663 linces‑ibéricos na Península Ibérica, o valor mais elevado desde o início da monitorização conjunta e um crescimento de 95 % face a 2021, quando restavam 1 365 animais. Em relação ao censo de 2024 (2 401 exemplares), o aumento foi de 10,9 %. Em Portugal foram registados 394 indivíduos — 265 adultos ou subadultos e 129 crias nascidas durante o ano. No conjunto da Península contabilizaram‑se 542 fêmeas reprodutoras e 952 crias nascidas em 2025, com presença confirmada em 26 áreas geográficas distintas e reprodução em 18 dessas populações. Os números, divulgados no Dia Mundial do Ambiente, contrastam com os menos de 100 linces que existiam em 2002. A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, classificou a recuperação como «uma das maiores histórias de sucesso da conservação da natureza na Europa», atribuindo os progressos ao conhecimento científico, ao compromisso político, à cooperação internacional e ao envolvimento das comunidades locais. O Centro Nacional de Reprodução do Lince‑Ibérico, em Silves, teve um papel determinante neste esforço.

Lobo‑ibérico

Governo prepara reforço da proteção do lobo‑ibérico, diz ministra do Ambiente (abre em nova janela)

A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, anunciou que o Governo vai apresentar em breve um novo decreto‑lei para reforçar a proteção do lobo‑ibérico, elaborado em conjunto com o Ministério da Agricultura e Mar. A declaração responde ao alerta de 21 organizações ambientalistas, na semana anterior, sobre alterações ao Plano Estratégico da PAC (PEPAC) que poderiam manter apoios a agricultores condenados por matar lobos. A ministra garantiu que «podem ficar descansados», sublinhando que o PEPAC é um regulamento de fundos europeus e que «um fundo não altera a lei de um país». Em Portugal, o lobo está protegido desde 1988. Afirmou ainda que foi o próprio Ministério da Agricultura a pedir o reforço da proteção e que o novo diploma «vai proteger ainda mais o lobo». O anúncio inscreve‑se num plano de restauro da natureza que prevê um investimento médio de 500 milhões de euros por ano até 2030, com mais de 400 medidas para ecossistemas terrestres, marinhos, fluviais, urbanos, agrícolas e florestais.

Lince‑ibérico

ICNF assegura continuidade da equipa atual no centro de reprodução do lince‑ibérico (abre em nova janela)

O ICNF adjudicou um contrato de prestação de serviços de 14 meses que garante a permanência da equipa atual no Centro Nacional de Reprodução do Lince‑Ibérico (CNRLI), em Silves, pondo fim a semanas de incerteza. O instituto tinha sinalizado a intenção de «internalizar» a operação a partir de 1 de junho de 2026 sem um plano de transição documentado, levando o coordenador Rodrigo Serra a alertar que uma mudança abrupta num período sensível, com crias recém‑nascidas e conflitos entre juvenis, poderia comprometer o bem‑estar dos animais. Após uma recomendação da ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, a priorizar o bem‑estar da espécie, o ICNF reuniu com a equipa; o contrato cobre a operacionalização e a gestão técnico‑científica do CNRLI e o apoio de campo ao programa de reintrodução, com duração que assegura a continuidade até as crias nascidas em 2027 atingirem a independência.

Lobo‑ibérico

Ambientalistas alertam que proteção do lobo‑ibérico pode estar em causa com alterações ao PEPAC (abre em nova janela)

Vinte e uma organizações ambientalistas, entre as quais a Coligação C7 (WWF, Fapas, Geota, LPN, Quercus, SPEA e Zero), a Palombar e a Rewilding Portugal, alertaram a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, para alterações ao Plano Estratégico da PAC (PEPAC) propostas pelo Ministério da Agricultura e Mar. As mudanças permitiriam que beneficiários agrícolas condenados por matar lobos continuassem a receber apoios por prejuízos causados pela espécie, uma contradição, segundo as organizações, já que o Estado pune legalmente o abate do lobo, protegido desde 1988, e em simultâneo manteria o apoio a quem o mata. O alerta surge depois de a ministra ter garantido, em setembro de 2024, que a política de proteção do lobo não mudaria, e contraria o Programa Alcateia, lançado para reforçar a conservação da espécie.

Lince‑ibérico

ICNF assume gestão do programa de recuperação do lince‑ibérico (abre em nova janela)

O ICNF assume a gestão do Centro Nacional de Reprodução do Lince‑Ibérico, em Silves, a partir de 1 de junho de 2026, substituindo a equipa especializada que opera o programa há quase duas décadas. A transição gera controvérsia: investigadores, organizações ambientalistas e partidos políticos questionam a ausência de um plano técnico, jurídico e operacionalmente seguro para uma operação 24/7 e o risco de perder o conhecimento acumulado pelos 14 profissionais da equipa atual.

Lince‑ibérico

Serra da Malcata vai receber projeto de reintrodução do lince‑ibérico (abre em nova janela)

Na 42.ª Ovibeja, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, anunciou que a Reserva Natural da Serra da Malcata, em Penamacor, vai acolher um novo núcleo de reintrodução do lince‑ibérico no âmbito do PACLIP 2026–2030. O ICNF está em conversações com o município para definir uma zona cercada, mas ampla, em que a espécie viva em ambiente natural. Foi também assinado um protocolo com as Águas do Algarve que assegura 350 mil euros anuais ao centro de reprodução em cativeiro até 2037.

Lince‑ibérico

Oito crias de lince‑ibérico nascidas este ano no centro de Silves (abre em nova janela)

O Centro Nacional de Reprodução do Lince‑Ibérico (CNRLI), em Silves, regista oito nascimentos na época reprodutora de 2026, fruto de quatro casais reprodutores entre 6 de março e 8 de abril. Os nascimentos reforçam o programa ex situ ibérico, num momento em que o esforço de conservação se concentra na criação de novos núcleos populacionais na Península, incluindo a futura reintrodução na Serra da Malcata.