Fotografia de Lobo-ibérico (Canis lupus signatus)CanídeosEm Perigo

Lobo-ibérico

Canis lupus signatus

Foto: Animal RecordCC BY 2.0

Canis lupus signatus — Nome comum: lobo-ibérico

O maior carnívoro selvagem de Portugal e símbolo da fauna ibérica ameaçada.

Habitat
Montanhas e florestas do norte e centro de Portugal
Dieta
Corço, javali e mamíferos de médio-grande porte
Família
Canídeos

Descrição

Carnívoro de grande porte, actualmente o maior canídeo selvagem. A região anterior do corpo é bem desenvolvida e a região lombar, forte e arredondada. A cauda espessa anda quase sempre caída entre os membros posteriores durante o deslocamento. A cabeça é volumosa e alongada, com focinho largo, orelhas rígidas e triangulares, e olhos oblíquos de cor topázio. A pelagem do tronco é castanho-amarelada, marcada por uma lista negra que se estende do pescoço à cauda; o focinho apresenta tons ruivos e uma região mais clara que vai da garganta ao ângulo externo do olho.

Habitat

Ocorre em áreas montanhosas com baixa perturbação humana, onde se encontram florestas, matos e pastagens. Em Portugal distribui-se em duas subpopulações: a principal a norte do rio Douro, e uma subpopulação a sul, isolada e mais vulnerável. A área de ocupação total ronda os 16 000 km². De actividade essencialmente nocturna, pode percorrer 20 a 40 km num único dia.

Alimentação

Predador de mamíferos de médio e grande porte — em Portugal, alimenta-se principalmente de corço, javali e veado. A predação de gado doméstico, especialmente ovelhas e vitelos, é uma fonte frequente de conflito com os pastores.

Reprodução

Vive em alcateias de 3 a 8 indivíduos hierarquizados. Apenas o par alfa (dominante) se reproduz. O acasalamento ocorre entre Janeiro e Março; os nascimentos dão-se geralmente em Maio–Junho. As ninhadas têm 3 a 8 lobitos, que nascem com olhos fechados e dependentes de cuidados parentais. Em finais de Outubro iniciam a aprendizagem da caça.

Estatuto de Conservação

Classificado como Em Perigo (EN, critério D) pelo Livro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental (2023), com menos de 250 indivíduos maturos (~300 no total). A população portuguesa organiza-se em ~50 a 60 alcateias. A conservação é orientada pelo Plano de Ação para a Conservação do Lobo-Ibérico em Portugal — PACLobo (Despacho n.º 9727/2017). Estritamente protegido em Portugal desde 1988 e abrangido pela Directiva Habitats (Anexo II e IV).

Ameaças

As principais pressões são a predação sobre pecuária (fonte de conflito com pastores), a caça furtiva por laço, tiro e veneno, a fragmentação provocada por infraestruturas viárias e energéticas, e os incêndios florestais. O declínio das populações de presas selvagens — corço e javali — aumenta a dependência de gado doméstico, intensificando os conflitos com os pastores.

Última atualização: Abril de 2026