FelídeosEm PerigoLince-ibérico
Lynx pardinus
Lynx pardinus — Nomes comuns: lince-ibérico, liberne
O lince-ibérico é considerado o felino mais ameaçado do mundo e um dos mamíferos mais raros da Europa.
- Habitat
- Bosques e matagais mediterrânicos
- Dieta
- Coelho-bravo
- Família
- Felídeos
Descrição
Felídeo de pelagem castanho-amarelada com pintas negras e cauda curta terminando em ponta preta. Caracteriza-se pelos pêlos rígidos em forma de pincel nas extremidades das orelhas e pelas longas patilhas que crescem progressivamente com a idade. Os membros posteriores são mais compridos que os anteriores, conferindo-lhe grande capacidade de impulsão.
Habitat
Prefere bosques, matagais e matos densos de características mediterrânicas. Uma área de linces residentes caracteriza-se, em geral, por uma cobertura arbustiva superior a 40% e uma proporção de matagal entre 60 e 70%. Está estreitamente associado às áreas com boa densidade de coelho-bravo, presa que pode constituir 80 a 99% da sua dieta.
Alimentação
Carnívoro maioritariamente crepuscular e nocturno. Alimenta-se quase exclusivamente de coelhos-bravos (Oryctolagus cuniculus), podendo a sua dieta ser complementada com roedores, aves e crias de cervídeos.
Reprodução
Os acasalamentos ocorrem entre Janeiro e Março. A gestação dura entre 63 a 74 dias, após a qual nascem 1 a 4 crias — o mais comum são 2. As crias recebem cuidados exclusivamente maternais durante cerca de 1 ano, tornando-se então independentes.
Estatuto de Conservação
Classificado como Em Perigo (EN, critério D) pelo Livro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental (2023), com menos de 250 indivíduos maturos. Em Portugal, a população contava 79 adultos e 140 indivíduos no total em 2021, distribuídos por dois núcleos no Vale do Guadiana. A tendência é de expansão, após décadas de reintrodução no âmbito de projetos LIFE. As ações de conservação seguem o Plano de Ação para a Conservação do Lince-Ibérico (Despacho n.º 8726/2015). Protegido pela Convenção de Berna (Anexo II), CITES (Anexo I) e Directiva Habitats (Anexo II e IV).
Ameaças
As principais pressões são a mortalidade direta por atropelamento e a prevalência de patologias transmissíveis por gatos domésticos e outra fauna selvagem. Uma nova epizootia do coelho-bravo com declínio drástico das suas populações teria impacto direto na reprodução e estabilidade das populações de lince. A baixa diversidade genética constitui uma ameaça adicional em populações isoladas. A transformação de habitats nativos favoráveis — matagais mediterrânicos — continua a limitar a área de ocupação e a potencial expansão da espécie.
